Compartilhe com seus amigos!

Preservar a história de uma cidade é fundamental, com a devida valorização do passado e da memória coletiva de seus habitantes. Mas, nem tudo consegue ser abarcado pela História Oficial, com suas fotos, notícias de jornal e documentos oficiais. Neste caso, surgem vazios que só podem ser preenchidos pela memória viva de quem testemunhou a história da cidade, de quem viu os fatos e os viveu de perto. É por isso que o livro “Águas de São Pedro: a História que se Conta”, escrito por Stella Maria Gonçalves Crescenti e Lucila Jacob Miralles é tão importante para a preservação da memória da estância. Nosso blog conversou com a Sra. Stella, principal idealizadora e realizadora do projeto.

Águas de São Pedro: a história que se conta.

Gourmet Jazz Festival – Antes de tudo, gostaria que a senhora falasse um pouco sobre sua história e porque escolheu Águas de São Pedro para morar.

Stella – Sou professora aposentada de São Paulo. No início, vínhamos para cá nos finais de semana. Em 2005, nos mudamos definitivamente. Os motivos são vários: qualidade de vida, ar puro, condições excelentes do lugar, etc. Atualmente moro em uma chácara próxima à cidade

 

GJF – Como surgiu a ideia de escrever um libro sobre Águas de São Pedro?

Stella – A partir de 2007 foi criada na cidade, a Rede Social de Desenvolvimento Local,  e comecei a participar do movimento. Entre outras atividades, apareceu a oportunidade de fazer um curso sobre memória social no Museu da Pessoa, em São Paulo. Lá aprendemos, Cristina Prado, Adilson Toledo e eu, a lidar com o tema, a como entrevistar pessoas e saber de suas vidas, a tratar legalmente do assunto.

Estando de volta à cidade, surgiu a ideia de falar sobre ela, de contar sua história e passamos a colocar em prática tudo o que havíamos aprendido.

No início, nós três  começamos a procurar e entrevistar pessoas conhecidas, depois, como  a aposentada era só eu e com isso , tinha mais tempo para dispor para o projeto, continuei sozinha .

Entrevistei 80 pessoas de diferentes idades e classes sociais e, de seus relatos, fui tirando a história da cidade. Foi uma atividade muito interessante.

 

GJF – E como foi o processo?

Stella – O processo era o seguinte: procurava uma pessoa, explicava o que queria, marcava dia e hora e lá ia eu munida de uma filmadora portátil fazer a entrevista.  Voltava pra casa, transcrevia tudo, procurava ouvir e selecionar e diferenciar o que era história da cidade e a da pessoa. Demorava muito. Então, comprei um aparelho , chamado Pinacle, que transformava a fita da filmadora em filme.

Foi outro desafio aprender a mexer com isso. Na compra, ganhei um curso em São Paulo para aprender a utilizá-lo e por sorte, levei meu caseiro, que era interessado em informática, para fazer o curso junto comigo. Ele virou meu “personal trainner”. Era muita informação diferente para eu poder assimilar em dois dias e eu recorria a ele frequentemente, para captar a imagem, fazer o filme, editar e transformar em DVD.

Assim, foi escrito o livro, as fotos foram cedidas pelos entrevistados e o Dr. Antônio Moura Andrade (filho do fundador da cidade) colocou todo seu acervo à minha disposição, além de revisar os fatos históricos.

Tudo isso levou alguns anos: de agosto de 2007 a setembro de 2010.

Quando tudo estava pronto, o projeto foi engavetado, pois a Rede Social estava acabando, e ninguém mais estava interessado no livro .

 

GJF – E qual foi a importância do formato e-book para a retomada do projeto?

Stella – No começo de 2015, a Lucila Miralles fez um curso sobre confecção de e-books e estava procurando um texto para colocar em prática, quando, conversando com uma ex-integrante da Rede Social, Rosana Grande, soube do livro, entrou em contato comigo e  resolveu levar adiante o projeto.

Assim o livro se transformou em um projeto coletivo: ela formatou o e-book, a Luciana, da Ecoloja melhorou as fotos, a Thalita, da Casa do Mel fez a capa, a Rosana Grande e a Cidinha Cintra fizeram a revisão do texto.

 

GJF – Por que a história de Águas de São Pedro merece ser registrada?

Stella – Porque é uma história inusitada. A cidade teve um dono que transformou uma devastada plantação de café, um lugar onde só tinha capim barba de bode, numa estância conhecida mundialmente que , para preservar suas águas, até hoje não tem cemitério nem indústrias.

 

GJF – O que tem de curioso na história da cidade? Quais as maiores peculiaridades?

Stella – Dr. Octavio Moura Andrade, o fundador, interessou-se pelas águas mal cheirosas, mandou analisá-las  e com recursos próprios foi saneando e construindo a cidade que aí esta. O Grande Hotel, construído por ele, foi o grande impulsionador do desenvolvimento da região, habilitando as pessoas, primeiramente na construção civil, depois nos serviços de hotelaria.

 

GJF – Sobre as famosas águas da cidade, qual a história das fontes? Como foram descobertas?

Stella – O povo contava que na região tinha uma espécie de água que acabava com a caspa e que o gado a bebia e ficava com o pelo sedoso. Como o cheiro era muito forte, supunham que havia ali petróleo. Mas, um engenheiro, Sr. Angelo Balloni, havia aplicado todo seu dinheiro em perfurações de poços e não havia encontrado nada.  Era uma época em que os tratamentos termais, banhos, eram muito recomendados, e Dr.Octávio resolveu aplicar seus recursos na implantação de um balneário, ao mesmo tempo em que construía o Grande Hotel.

 

GJF –  E como foi a experiência de descobrir a história da cidade pela voz de seus moradores?

Stella – Foi muito agradável, ilustrativo e conhecer a história do lugar onde se mora é tão ou mais importante do que se conhecer a História Universal.

 

GJF – Quais foram as surpresas que apareceram nas entrevistas?

A primeira foi verificar como as pessoas abriam suas vidas para mim. Com muita vontade de participar do projeto, falavam com sinceridade e com muito bom humor sobre tudo o que passaram  e o quanto ajudaram na construção da cidade.

 

GJF – Das pessoas que fizeram a história de Águas de São Pedro, quais seriam as mais marcantes e lembradas pelos entrevistados?

Dr. Octávio é lembrado por todos como uma pessoa dinâmica, justa, amiga, preocupada em dar ao seu empreendimento  a melhor qualidade, mas também com a qualidade de vida dos seus funcionários e suas famílias.

O Dr. Vila foi um médico bastante famoso na cidade. Sempre admirado por todos por sua bondade e desprendimento. Trabalhava no Grande Hotel, de onde tirava seu sustento, mas atendia também a população gratuitamente a qualquer hora do dia ou da noite. Como “pagamento” recebia dos seus clientes agradecidos, aquilo que eles tinham: porcos, galinhas, cabras e demais produtos da zona rural, e para ter onde colocá-los precisou até comprar um sítio.

 

GJF – Após a escrita do livro e sua publicação, o que ficou de melhor para a Sra.? O que mudou depois desta experiência? 

Minha relação com a cidade ficou mais estreita. A cidade é praticamente nova, tem a minha idade, 75 anos. Coloquei no livro testemunhos até a década de 70. Fiquei mais conhecida por aqui e apesar de ter prometido a todos que daria um volume do livro a cada um, não pude cumprir, visto que a publicação apenas em e-book dificulta essa doação.

Ainda tenho a esperança de transformar o e-book em um livro material, mas isso é uma história que fica para uma outra vez.


 

Venha fazer história em Águas de São Pedro

O livro “‘Águas de São Pedro: a História que se Conta” pode ser facilmente encontrado nas principais livrarias digitais como Saraiva, Amazon e Livraria Cultura. Mais informações em https://www.facebook.com/ebookaguasdesaopedro/

A história da cidade continua. E o Gourmet Jazz Festival 2015 com certeza já está fazendo parte dela. Por isso, garanta seu lugar no festival pelo site.

Garanta seu vale-ingresso gratuito!
Comente!
Compartilhe com seus amigos!